Foto por Felix Russell-Saw

O que a maioria das pessoas tende a dizer automaticamente quando você relata algo ruim é: “mas veja pelo lado bom”. E eu não tô aqui pra rejeitar isso irrefutavelmente, até porque olhar pelo lado bom já me ajudou muito nessa vida. Ultimamente, inclusive, ando tentando não passar mais tanta raiva com a fatídica experiência de perder o ônibus, dizendo pra mim mesma que não vale falar “se eu tivesse saído um pouco antes” porque “se” não existe, e o que aconteceu aconteceu. Mas isso é divagação pra outro momento.

O que muita gente precisa aceitar é: às vezes o que aconteceu foi ruim e pronto.

Não, não aconteceu por um motivo mágico e cósmico, não ensinou nenhuma lição, não nos levou a uma oportunidade ainda melhor, não nos engrandeceu como pessoa. E sabe mais o que?

Não tem nenhum problema nisso.

Eu entendo perfeitamente que essa onda da busca pela felicidade constante/eterna tenha surgido porque a geração atual tem o maior número de casos de ansiedade e depressão da história. Mas a solução está sendo trazida de forma errada. A gente precisa aprender a lidar com nossos sentimentos e entender que todos são válidos, ao invés de tentar substituir o que quer que venha pela felicidade.

Eu já tentei ser sempre positiva, ver as coisas sempre pelo lado bom, achar tudo lindo e maravilhoso. Foi difícil e cansativo, o que eu creditava à depressão, mas o que acontece é que também foi errado. Ora, se a tristeza não serve pra nada, pra que ela existe? Cês não viram Divertidamente, não? A felicidade precisa da tristeza.

Ser otimista o tempo todo chega a ser improdutivo. Parece que você tá mentindo pra sua mente. Quando algo ruim acontece e você obsessivamente tenta suprimir os sentimentos ruins dizendo pra sua cabeça que tá bem, você não está se permitindo sentir algo que sua cabeça quer sentir. E reconhecer um sentimento é o primeiro passo para que você comece a aprender que, como todos os outros, ele é passageiro.

Tem uma frase do filme Elizabethtown que eu adoro e diz: “Sinta a dor. Agarre-a. E então, deixe-a ir.” Isso nos lembra que os sentimentos ruins (ou ainda os neutros, pra quando tu simplesmente não tá se sentindo o máximo) não vieram pra serem mandados embora, mas também não vieram pra ficar pra sempre. Eles vieram pra serem sentidos e (agora sim, no maior estilo veja-pelo-lado-bom) te fazerem crescer como pessoa.

Da próxima vez que você olhar para uma situação com qualquer coisa que não otimismo, dê um tapa na cara da pessoinha dentro da sua cabeça que está te lançando um olhar julgador e diga:

Uwh7un4

(Nunca achei que terminaria um texto inspirador com uma frase
de Bianca del Rio. A vida é realmente uma caixinha de surpresas.)
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