Os pulos do cinema nacional (ou: crítica de O Filme da Minha Vida)

Em 2013, Quando vi O Vendedor de Passados (título que tive que procurar agora, pois o pobre do filme nem essa memória me deixou), escrevi uma crítica onde eu falava, basicamente, que o filme me deu esperanças. Não no sentido poético, tipo a esperança de uma vida melhor ou de alcançar meus sonhos: esperança de que o cinema brasileiro estava andando nos trilhos certos. No fade out de O Filme da Minha Vida, respirei aliviada. Eu estava certa. (now who’s poetic)

O Filme da Minha Vida me cativou de cara com o trailer. Parecia lindo, com elenco e roteiro bons. Mas já vi mais trailer enganoso nessa vida do que sei contar. Maaaaaas eu também sou a primeira voluntária a comprar ingresso pra filme nacional (quando tenho a sorte de ele estar em algum cinema acessível) pra sentar bem quietinha, assistir a coisa toda, e daí abrir a boca.

O trailer é só um gostinho do que talvez seja minha fotografia preferida das estreias desse ano. Uma direção de arte impecável, junta de enquadramentos muito bem estudados, embala a história e adiciona emoção. A trilha sonora ajuda a ditar os sentimentos, também muito bem encenados pelo elenco incrível. Enfim, da parte técnica, eu esperava bastante e ainda assim me surpreendi positivamente. Mas o roteiro… ah, o roteiro…

O roteiro sempre foi meu maior problema com as produções nacionais (ok, talvez não sempre, só desde que eu virei essa metida a crítica). Filmes, novelas e minisséries trazem toda vez o mesmo grande defeito: o exagero. Tudo é muito explicadinho, exaustivamente exposto, repetido em todas as cenas. Presságios não existem. O espectador se sente burro. não tem nada pra ele descobrir, nada pra se surpreender. E parece que finalmente estamos superando isso.

 adele happy crying GIF

Selton Mello fez um trabalho lindo (e, para uma aspirante a roteirista como eu, bastante inspirador) com o roteiro, alcançando um grande sonho de todo mundo que escreve/cria: contar uma história simples e boa. Não é nenhuma engenhoca cheia de artifícios, viagens no tempo e efeitos especiais, mas uma história que cativa e emociona. Pra mim, a grande maioria das produções nacionais peca pelo excesso. Essa entregou o que tinha que entregar, no momento em que precisava fazê-lo.

O Filme da Minha Vida é singelo, mas talvez esconde atrás da simplicidade um grande passo do cinema brasileiro. Aliás, isso me deixou pensando em algo engraçado: a gente cresce vendo filmes norte-americanos e europeus, aí compara com os nossos e só sabe falar mal. A gente esquece de lembrar que quando o cinema foi inventado na Europa, o Brasil era um bebê. Isso sem começar a falar no quão menor é o investimento que as produções nacionais recebem. Aí, a única alternativa que os artistas daqui tem é correr contra o tempo para alcançar um nível de respeito. E isso eles estão fazendo muito bem ❤️

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s