Escritores: por que nossas histórias não se passam aqui?

Não me lembro exatamente como surgiu a ideia para a minha primeira história original, a primeira que pensei em transformar em livro. Só sei que, logo menos, eu estava escolhendo nomes basiquinhos pros personagens, e decidindo onde ela iria se passar. O primeiro capítulo já dizia algo como “observei o céu cinzento de Boston”.

Cara, eu nunca pisei em Boston. Por que diabos Boston?

Tempo depois, me surgiu outra ideia: uma sociedade de pessoas que controlava a água, e outra o fogo. Vai se passar… na Inglaterra? Escócia? Ah, claro, já sei: em ambos.

(Essa aí eu até perdoo, porque logo depois viajei pra lá, sonhei com uma cena do livro, e aí visitei Stonehenge e Bath, o que me deu ótimas ideias sobre a relação da história com seu cenário).

A triste realidade é a seguinte: a gente cresce vendo as histórias legais – as ficções mais loucas, os romances mais arrebatadores, as comédias mais divertidas – se passando lá fora. Na hora de transcrever nossas próprias ideias, é compreensível que a gente automaticamente visione uma moça chamada Samantha Rivers gerenciando sua empresa em Massachusetts (um lugar que eu acabei de ter que procurar no Google como escrever. Olha que coisa mais doida).

Depois desses dois (e de felizmente passar a valorizar mais a arte nacional), começou a me crescer a vontade de criar uma história que se passasse aqui. E quando uma amiga (oi, Laura!) disse que realizou um sonho ao escrever uma história com cenário completamente brasileiro, percebi que era um meu também. E, sendo completamente sincera, se for pra comparar com outras coisas que almejo: que sonho mais facinho de se alcançar, viu.

É a mesma história da Julia Roberts com o filme “Olhos da Justiça”. A moça leu o roteiro e disse que queria interpretar o papel principal. Ah, o personagem principal era um homem. E daí? Muda o nome de João pra Maria e segue em frente! E assim foi.

Então, é simples: faz o alienígena atacar Recife. O amor improvável entre um cantor e uma menina surda percorrer as calçadas de Curitiba. A garota com uma força sobre-humana levantar o Pão de Açúcar. Faça isso e você ainda ganha um p*** bônus: pode realmente escrever sobre aquilo que conhece, e não só o que viu na TV.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s