Publicar um livro? Fiz isso aos oito.

Antes de mais nada, não sei se era exatamente oito anos que eu tinha – essas memórias da infância se embolam demais. Mas era por aí. E a história é a seguinte: Tive uma ideia, peguei várias folhas sulfite e as recortei, dobrei e colei no formato de um pequeno livro. Dei um título engraçadinho, dei começo, meio e fim, ilustrei, e pronto.

(Chamava-se “Doriace não come alface”. A menina não gostava de salada. Ficou doente. Passou a amar salada.)

Ou seja, antes de saber o que era publicar um livro, fui a autora, editora, revisora, diagramadora, designer e agente de um. E não qualquer coisa: modéstia a parte, ele tinha um título engajador, um conflito e uma resolução, e praticamente uma jornada do heroi.

O objetivo dessa história, talvez, é dizer que publicar um livro pode ser feito por qualquer um. O que nos falta, talvez, é inocência. A inocência de fazer algo porque quer, e não porque vai dar dinheiro, porque vai pegar bem no currículo, porque vai ser bem visto – é claro que nós, adultos, precisamos fazer tais coisas. Mas isso não significa deixar de lado aquelas que fazem bem pra alma.

A próxima vez que pensar em seguir algum sonho, peça ajuda ao você de oito anos.

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